O ANIMAL HOMEM

Vininha F. Carvalho

A vida dos homens atualmente está se tornando cada vez mais complicada e vazia, causando uma séie de prejuízos a tudo que o cerca, devido a sua ambição e desrespeito às leis da natureza.
Somente a partir do momento que eles se conscientizarem que não são deuses, mas sim uns animais e se aproximarem mais de sua origem, que não é diferente dos outros seres, pois também nascem, crescem, reproduzem e morrem, estaremos evitando uma destruição do nosso planeta.
O ser humano depende da natureza para obter o seu sustento e nem por isso se preocupa em evitar que a água dos rios seja poluída, que os alimentos se contaminem e nem que o ar que se respira esteja lhe tirando o que ele tem de mais importante e valioso: a sua própria vida.
Para alguns seria melhor que no mundo só existissem homens e máquinas, porque assim tudo estaria dentro do seu controle e reinaria somente o poder de sua pseudo-inteligência, até que um dia tudo fosse transformado em um único número: o zero.
Quem não se preocupa em preservar a natureza é porque tem medo de assumir o seu papel dentro dela. Por isso, tenta justificar-se explorando os animais e destruindo o que a natureza tem de melhor: a sua perfeita harmonia.
Já foi provado cientificamente que o contato com os animais funciona como um mecanismo anti-estresse para todos os que com eles convivem. Pacientes com história de ataque cardíaco tem menor probabilidade de sofrer um segundo se possuírem um cão ou um gato.
Feliz de quem consegue ver ainda numa criança, numa flor ou em um animal a promessa de um mundo melhor.

 


GOSTOSO E PERIGOSO
Máfia do palmito atua no Vale do Paraíba
Edvander R. Silva

Dor estomacal, mal estar, parte dos músculos enrijecidos e a perda de consciência. Tudo isso após uma "inocente" salada de palmito, que por infelicidade do consumidor continha o fungo que causa botulismo, uma doença rara que já havia sido erradicada há mais de 50 anos do Brasil.
O mais preocupante é que o Vale do Paraíba tem várias reservas ambientais, parques nacionais, estaduais e municipais de onde são extraídos ilegalmente grande parte do palmito que é consumido no estado de São Paulo. Somente nos primeiros quatro meses de 97 a Polícia Militar Florestal registrou e extração de 2.243 árvores de palmito, conhecidas cientificamente como Euterpis edulis. Segundo o tenente Eduardo Nunes, essas apreensões representam menos de um décimo do que é extraído das reservas florestais do Vale. "Para uma área de 13.158 hectares existem apenas 150 policiais florestais, sendo que as reservas estão espalhadas por diversas cidades. E sem estrutura fica difícil a fiscalização", desabafa. É como se cada policial fosse responsáveis por 877.200m.
O processo de preparo do palmito em conserva é feito, na maioria das vezes, na própria mata onde ele é extraído. "Os palmiteiros têm procedimentos anti-higiênicos, pois cozinham o palmito em tachos improvisados sem se preocupar com a ferrugem e com a sujeira a sua volta, que são os principais focos de desenvolvimento de fungos que causam o botulismo", denuncia Nunes. "Todas as amostras que nós encaminhamos para serem analisadas no Instituto Adolfo Lutz, foram consideradas impróprias para o consumo, havendo a presença até de coliformes fecais." Para tornar as coisas ainda piores, em três apreensões feitas pela polícia, foram encontrados vidros de palmito com rótulos onde constavam até registros no Ibama. Para surpresa da corporação as marcas Topázio, Bruna e Palmito Verde eram irregulares. "Muitos dos restaurantes, pizzarias e mercearias do Vale do Paraíba compram e repassam o produto sem saber que é clandestino, colocando em risco a saúde dos seus clientes, mas não temos como fiscalizar", desabafa Nunes.
É por não haver uma fiscalização eficaz que existe uma verdadeira máfia de extratores ilegais de palmito, favorecendo-se da Lei Florestal nº4771/65, que no art. 26 caracteriza apenas como contravenção penal a extração, o transporte, a interceptação e o porte de árvores. A pena é "branda", pode ir de 1 a 3 anos de prisão, mas sempre é revertida em multa de 1 a 100 vezes o valor do salário mínimo. Das 21 pessoas indiciadas por causa de palmitos ilegais no ano de 97, todos estão em liberdade, ninguém chegou a permanecer preso por muito tempo.
O exemplo clássico é de um conhecido foragido da polícia, considerando um dos palmiteiros mais perigosos da região. Ele costuma agir com sua quadrilha principalmente nos municípios de Cunha e São Luís do Paraitinga, já esteve preso vária vezes, e sempre que é abordado por policiais resiste violentamente à prisão, certa vez atirou na mão de um policial florestal. Na sua ficha o que mais chama a atenção é que nunca pagou fiança para sair e também nunca foi mantido por muito tempo na prisão.
Selma Aparecida Alves, do Departamento a Estadual de Proteção de Recursos Naturais em Taubaté, afirma que a pena deveria ser mais severa para esses infratores porque cada árvore de palmito que é derrubada compromete todo o ecossistema da reserva. "A flor do palmiteiro serve de alimento para uma grande diversidade de pássaros e sem ela a cadeia alimentar se quebra", lamenta.
De acordo com Selma, o palmiteiro depende do homem para se reproduzir, pois o trabalho dos pássaros e outros animais é insuficiente para garantir o reflorestamento. A Lei Federal 6938/81 no art. 10 exige que para plantar ou colher palmito é preciso estar habilitado pelo Ibama, para que se possa haver um controle sobre a procedência dos palmitos que são extraídos.
No município de Cunha, onde está localizada a maior reserva florestal do Estado, as extrações são mais freqüentes. Segundo informações de um morador da cidade que não quis se identificar, muitas mortes já ocorreram por causa do palmito ilegal. "Há pouco tempo costumavam aparecer corpos pela estrada sem as mãos e se a cabeça para dificultar a identificação. É um negócio arriscado e eles são muito violentos, tanto que há cerca de 4 anos atrás eles trocaram tiros com a polícia florestal e incendiaram a viatura", recorda.
A testemunha lembra também que muitos índios da região, por terem inimputabilidade (não ter consciência do crime que cometem) garantida na Constituição, são favorecidos na extração do palmito e ajudam a movimentar esse comércio lucrativo sem serem os maiores beneficiados. "Muitos brancos usam os índios para extrair o palmito de suas reservas, mas o lucro não é repassado para a tribo", alerta.
Apesar das contradições, poucos abrem mão de se deliciar das propriedades de um palmito. Mas já é hora de se questionar se vale a pena correr o risco. A melhor maneira de se prevenir das marcas clandestinas é evitar comer o palmito em bares, pizzarias e restaurantes quando não se sabe a procedência, e quando for comprá-lo em mercados certificar-se de que a marca foi registrada no Ibama, pelo telefone (012) 553-1590, em Lorena.

Edvander R. Silva é aluno do 4º ano de Jornalismo na UNITAU.